Resenha

Quase nada Borges

O argentino Jorge Luis Borges é mais conhecido pela sua prosa, embora tenha sido prolífico também na poesia e na crítica – caso tais definições pudessem ser a ele aplicadas. Mesmo com o avanço de sua cegueira, abandonando certas experiências de juventude, alcançou um tratamento do verso que revive algumas técnicas que podem ser muito úteis para reacender centelhas de clareza e coerência. Nisso reside a boa qualidade deste de Quase Borges – 20 transpoemas e uma entrevista, de Augusto de Campos, que tenho em mãos.

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Resenha

Make it me

verso reverso controverso de Augusto de Campos já na grafia de seu título nos propõe um desafio à transposição para a sintaxe vulgar. Os estudos ali contidos foram originalmente publicados entre 1964 e 1967 e reunidos em livro mais de 10 anos depois, em 1978, pela coleção Signos (dirigida por Haroldo de Campos) da Editora Perspectiva. Continue lendo

Poema, Tradução

pity this busy monster, manunkind (e. e. cummings)

pena dessa besta ocupada, desumanos?

nunca! Progresso é uma doença confortável:
sua vítima (morte e vida salvas, longe)

vive a grandeza de sua pequeneza
— elétrons deificam de uma navalha
uma cordilheira; lentes estendem
inquerer por emquando até inquerer
voltar a seu não-si.
Um mundo feito
não é um mundo nascido — pobre carne
e frutas, pobres estrelas e pedras, mas nunca
pena dessa fina ultraonipotência

hipermágica. Nós, médicos, temos

um caso perdido se — viu, tem um
puta universo bom ao lado; vamos

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